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René González, nascido em 1956, é um dos cinco agentes secretos cubanos presos nos Estados Unidos sob acusação de espionagem. Foi preso nos EUA em 1998 e condenado em 2001 a 13 anos de prisão. Fez parte da Rede Vespa, um grupo de 14 agentes secretos cubanos infiltrados em organizações anti-castristas da na Flórida.

Origem Editar

René González

René González, um dos cinco agentes cubanos presos nos Estados Unidos.

René é um cidadão norte-americano, nascido em Chigago. Sua esposa, Olga Salanueva, é uma cubana nascida em Havana. René foi para Cuba em 1961 com o seu pai Cándido que era Cubano, que resolveu retornar ao seu país natal após a invasão da Bahia dos porcos.






Veterano de Guerra Editar

René González em Angola

Foto de René tirada em Angola.

Participou da Guerra de Angola, onde pilotava tanques soviéticos armados com canhões de 120 milímetros.

Serviu nas selvas africanas por 2 anos, realizando 54 missões de combate. [1]


René González em Angola - 2

Outra foto de René em Angola

Fuga para Miami Editar

Avião Antonov AN-2

Modelo de avião utilizado por René para fugir de Cuba.

Em 8 de dezembro de 1990, René fugiu de Cuba utilizando um avião Antonov AN-2, de fabricação soviética, roubado de um aeroporto. Nessa época ele possuía 34 anos. [2]

René fugiu de Cuba e deu diversas entrevistas em rádios e televisões americanas dizendo que havia desertado de Cuba, pois não conseguia mais viver no país por causa da escassez de comida, alimentos, combustíveis e outros produtos básicos pela qual passava o país após a dissolução da União Soviética.

"Tive que fugir. Em Cuba falta luz, falta comida, até a batata e o arroz estão racionados. O combustível para nossos aviões é contado gota a gota. Para mim, Cuba acabou" (René González em entrevista à Radio Martí).

Ele fugiu de Cuba sem contar para ninguém de sua missão, nem ao menos para a sua família, para que o seu disfarce fosse perfeito. Desse modo, René foi considerado em seu país um traidor, um desertor.

Em Miami foi recebido como herói. Os jornais divulgaram muitas manchetes falando da seu dramático retorno, do seu heroísmo e audácia.


Infiltração em organizações Anti-Castristras Editar

Basulto no avião

José Basulto, chefe da organização anti-castrista "Hermanos Al Rescate"

Ao chegar na Flórida trabalhou dando instrução de vôo no aeroporto Opa-locka, trabalhou consertando telhados e fazendo pequenos bicos para se manter.

A partir de 1992 começou a se infiltrar em diversas organizações anti-castristas, como a Hermanos al Rescate (Irmãos para o resgate), comandada por José Basulto, um dos que fugiram para os EUA. Ele era um dos inimigos jurados da Revolução Cubana.

A Hermanos foi registrada, assim como todas as outras organizações anti-castristas, como uma "instituição não lucrativa sem finalidades políticas". Ela se autointitulava "uma sociedade humanitária".

Na Hermanos, René pilotava um avião que realizava o socorro de balseiros que fugiam de Cuba em direção a Miami. Outra de suas atividades era entrar ilegalmente com o avião no espaço aéreo de Cuba, realizando atividades como distribuir milhares de panfletos incitando o povo cubano a se rebelar contra o governo e jogando milhares de medalhas da Virgem da caridade do Cobre, a santa padroeira de Cuba. [3]

Após um tempo, René saiu da Hermanos al Rescate, entrando em outra organização, a PUND (Partido da União Nacional Democrática), que também se dedicava a socorrer balseiros perdidos no mar, dentre outras atividades.

Mais tarde, René em conjunto com um agente do FBI descobriu que o avião, além de socorrer balseiros perdidos, também era usado para realizar tráfico de drogas. Numa operação do FBI, Héctor Viamonte, um dos chefes da organização foi preso em flagrante com uma carga de cocaína trazida no avião. [4]

Ao sair do PUND, René se infiltrou na organização chamada "Movimento Democracia", fundada e dirigida na época por Ramón Saúl Sanchez. Essa organização atuava não só em atividades aéreas, como também navais, com uma flotilha de dezenas de lanchas e barcos de vários tipos.

Sua prisão Editar

René González foi preso em 1998, condenado a 15 anos de prisão.

Sua situação atualmente Editar

Em 28/09/2011, Cuba acusou os Estados Unidos de "apoiarem" atos terroristas contra a ilha e exigiu que o governo de Barack Obama devolvesse o agente René González depois que ele deixasse a cadeia na Pensilvânia em 7 de outubro, após 13 anos de prisão.

Entretanto, uma juíza do Distrito Sul da Flórida rejeitou uma solicitação apresentada por González para retornar a Cuba ao término de sua sentença e disse que ele deveria permanecer nos Estados Unidos por mais três anos em regime de "liberdade supervisionada". Por esse motivo, ele ainda permanece em território americano. [5]

Em 12/10/2011, René enviou uma mensagem ao povo cubano, onde fala sobre como se sente e pede ao povo de Cuba que o ajudem na luta pela libertação dos outros quatro agentes que continuaram presos..

Vídeo gravado pela família de René González quando ele foi libertado.
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Referências

  1. Fernando Morais. Os Últimos soldados da Guerra fria (em português). primeira ed. São Paulo: Companhia das letras, 2011. p. 13-15. ISBN 978-85-359-1934-9

  2. Fernando Morais. Os Últimos soldados da Guerra fria (em português). primeira ed. São Paulo: Companhia das letras, 2011. p. 15-17. ISBN 978-85-359-1934-9
  3. Fernando Morais. Os Últimos soldados da Guerra fria (em português). primeira ed. São Paulo: Companhia das letras, 2011. p. 21-26. ISBN 978-85-359-1934-9
  4. Fernando Morais. Os Últimos soldados da Guerra fria (em português). primeira ed. São Paulo: Companhia das letras, 2011. p. 53. ISBN 978-85-359-1934-9
  5. "Cuba exige que EUA devolvam agente cubano após deixar prisão". extra.globo.com. Página visitada em 28/09/2011.
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